SUPERANDO AS INSEGURANÇAS NO RELACIONAMENTO

Você está em um relacionamento com uma ótima pessoa que você ama. Vocês desenvolveram confiança, estabeleceram limites e aprenderam os estilos saudáveis de comunicação um com o outro. Ao mesmo tempo, você se vê constantemente questionando a si mesmo, ao seu parceiro e o relacionamento. Será que vai durar? Será que ele me leva a sério? Será que tem algum segredo?

A capacidade de expressar o que realmente queremos nos faz sofrer e sem confiança seguimos controlando o nosso coração e o do outro.

É importante examinar o relacionamento de forma realista. Há coisas que seu parceiro(a) está fazendo ou dizendo que contribuem para sua insegurança? As questões devem ser tratadas de forma aberta e transparente no relacionamento. Nomear o comportamento e seu impacto pode não apenas fortalecer, mas também resultar em mudanças inesperadas. Em vez de tolerar o comportamento nocivo, trazer a verdade à mesa acabará trazendo mais confiança na relação.

A raiz da insegurança está em acreditar que não somos bons o suficiente. Portanto, nada do que fazemos merece algum reconhecimento. Essa crença não é nata, então onde foi que começamos a construir essa imagem tão negativa de nós mesmos, que nos invalida diante do outro?

Os problemas de autoestima começam a surgir logo na primeira infância, quando a criança não é validada em fases específicas de desenvolvimento. Quando recorrentemente se ouve que nunca vai dar certo na vida, quando a comparam com irmãos ou colegas, sendo ela a que sempre fracassa porque não faz nada direito. A criança começa a interiorizar essas falas repetitivas e leva essa descrição para sua vida adulta, sua autoestima ficará comprometida e sua insegurança pode dominá-la.

Infelizmente, podemos carregar essa crença dentro e fora dos relacionamentos. Tendemos a viver com medo de que nossa máscara caia a qualquer momento, e todos vão descobrir a ‘farsa’ que somos.  Podemos passar toda a  vida tentando fazer com que nossos relacionamentos contradigam essa nossa crença, mas frequentemente escolhemos pessoas que acabam confirmando ainda mais nossa invalidez.

Quem nunca se sentiu excluído? Desde criança, seja em casa, na escola, no trabalho, com seu par conjugal? São comuns momentos em que nos sentimos um pouco fora do lugar, não é mesmo? Muito difícil encontrar uma pessoa que possa dizer que nunca sentiu alguma rejeição, humilhação ou a dor do abandono em algum momento de vida.

Como amar essa parte de nós mesmos que insiste em não querer ser amada?  

Existem várias maneiras pelas quais você pode mudar a descrição que tem de si mesmo e se desfazer das crenças dominantes que já não lhe cabem mais. O reconhecimento de seus pontos fortes é só uma delas.

Você não pode atribuir todo o seu sucesso à sorte. Reconheça que você tem um talento legítimo. caso contrário, você não estaria onde está hoje. Escreva suas realizações e seus pontos fortes, e regularmente leia sua lista, especialmente quando estiver se sentindo para baixo. Mantenha a paixão pelo que faz de melhor, isso te renovará e te dará uma ideia mais coerente do alcance de suas realizações.

Quando a dúvida se insinuar, não ignore, aborde-a. Dê uma resposta à sua autocrítica severa com algo mais compassivo. Fale consigo mesmo como se estivesse falando com seu melhor amigo, seja seu amigo de confiança e recuse-se a dar espaços a vozes interiores irrealistas e negativas.

O construtivismo [1] tem como premissa que o homem descreve a si mesmo e se comporta de acordo com suas descrições, se elas mudam, seu comportamento também muda. Então, comece o quanto antes ter descrições mais positivas de você, assim começará a se sentir melhor e a pensar de forma mais generosa com você mesmo, seu comportamento, aos poucos, vai mudando; experimente!

Aceite elogios com cortesia, não se desculpe por seu sucesso. Pessoas com síndrome do impostor [2] ignoram palavras gentis dos outros. Eles dão desculpas para suas conquistas e minimizam suas realizações. Comprometa-se a aceitar elogios com elegância, agradeça de forma simples quando reconhecerem seu trabalho.

E seu par afetivo?  O que fazer para que uma relação seja infinita enquanto dure.[3]

Ambos devem investir na relação, percebe-se que no início da relação os casais costumam ceder mais, evitam brigar, têm mais cuidado com o outro. Assim que começam a ficar mais íntimos, recuam a modelos precários de comunicação. Acreditam não precisar mais manter estes cuidados e deixam de investir emocionalmente na relação.

Em um relacionamento é necessário algum acordo, principalmente de comunicação, um deles é ouvir o outro. Isso é extremamente importante para casais em constantes conflitos. As repostas que dão um ao outro, muitas vezes não são respostas, mas reações. Os casais muitas vezes, vão precisar de ajuda para aprender a usar todos seus sentidos para ter uma comunicação eficaz:  devem se olhar, se tocar, se ouvir e só depois se pronunciar ao outro. Desta forma, a dinâmica entre eles vai mudar e se tornar mais produtiva e menos reativa.

Quando as pessoas se sentem ignoradas ou, pior, desvalorizadas por seus parceiros (as), surgem ressentimentos que podem se tornar tóxicos para o relacionamento. Desta forma, o distanciamento toma lugar e cada um fica com sua própria solidão. Mudar pequenas coisas que persistem, ao longo do tempo, pode fazer a diferença.

Partilhar dores e amores fortalece a relação do casal. Agora, quando o que se troca é somente acessos de raiva, já não há mais espaço para um diálogo. Deixar a raiva amenizar e evitar discussões acaloradas em determinados momentos fará com que seja possível conversar em outro momento e de uma forma mais madura. Buscar entender os significados da raiva internamente é preservar o respeito na relação.

Trago novamente a voz do poeta Vinícius de Moraes, que nos ensina “E rir meu riso e derramar meu pranto. Ao seu pesar ou seu contentamento[4]”.

Compartilhar uma situação de rejeição, humilhação, como aquela que nos faz sentir que somos menos que o outro? Que nos rebaixa a nada? Até mesmo nos faz duvidar de nossos princípios mais nobres? Então, essas situações, que acontece de repente, em nosso trabalho, família, e outros contextos do cotidiano, como no trânsito, com o caixa de um banco, quando partilhadas se tornam a maior prova de amor, intimidade e confiança que se pode dar a quem escolhemos para ser nosso par, fortalecendo nossa relação afetiva.

“Não tem nada de iluminado no ato de se encolher, pois os outros se sentirão inseguros ao seu redor. Nascemos para manifestar a glória do Espírito que está dentro de nós. E à medida que deixamos nossa luz brilhar, damos permissão para os outros fazerem o mesmo. À medida que libertamos nosso medo, nossa presença libera outros.”  Nelson Mandela (5)

1. Construtivismo – Linha da Terapia Familiar Sistêmica que traz que cada somente a pessoa pode criar e mudar sua história de vida. Pois, só ela sabe como foi construída, o problema que ela esquece como construiu, assim é importante que alguém de fora (um terapeuta) possa ajudá-la a rememorar  para que ela consiga reconstruir sua história, de uma forma um tanto mais digna, de sua vida. E ainda que o Construtivismo leva inevitavelmente a fazer do homem pensante o único responsável por seu sentimento, seu pensamento e seu comportamento; 2. Síndrome do Impostor Artigo de junho/2016– Coaching Criativo. Disponível Em Https://Virtuwall.Wordpress.Com/Blog/; 3. MORAES, V. Soneto da Fidelidade, São Paulo, 1.946- http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/soneto-de-fidelidade.; 4.Ibidem; 5.MANDELA, N.  https://www.pensador.com/frase/MTY1NDEw/