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FORMAÇÃO ACADÊMICA PARA GARANTIR QUALIDADE DE VIDA NO ENVELHECER

É notório que a população idosa no mundo vem crescendo de maneira acentuada, e tal fato pode ser explicado por dois principais motivos: a queda da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida1,2.

Entende-se “envelhecer” como o processo natural da vida. No Brasil, idoso é a pessoa que possui 60 anos ou mais de idade5. Esse conceito está abordado no Estatuto do Idoso, Lei n° 10.741/2003, que tem por objetivo regulamentar os direitos assegurados à pessoa idosa, tais como: a saúde, habitação, aposentadoria, transporte, entre outros6.

Contudo, nota-se uma diferença no processo de envelhecimento quando pensamos nos aspectos socioeconômicos, levando em consideração os seguintes âmbitos: desigualdade social do país, porcentagem de doenças agudas e crônicas que acometem pessoas com menor condição socioeconômica, carências nutricionais e medicamentosas, falta de saneamento básico adequado e outras questões. Dessa forma, é possível perceber a necessidade de uma abordagem biopsicossocial de profissionais e de gestores no âmbito da saúde coletiva por meio da busca de estratégias que garantam a promoção da saúde, além da atenção às especificidades da população mais velha em situação de vulnerabilidade5,9

Ademais, a velhice é retratada na sociedade como algo ruim e deturpado, tendo a palavra “velho” uma característica pejorativa, uma vez que possui diversos significados negativos como antigo, desusado ou até mesmo inútil1. Isso se deve ao fato de muitas pessoas identificarem somente um lado do envelhecimento, isto é, a senilidade, a qual é explicada como alterações provocadas por doenças que estão relacionadas ao envelhecimento10,8. Essa caracterização negativa da idade pode remeter-se ao Ageísmo, o qual se refere às atitudes negativas da sociedade e dos indivíduos para com os demais em função da idade4. Assim, é de extrema importância que o idoso seja resiliente, ou seja, consiga adaptar-se a mudanças com o intuito de combater esse preconceito e essa desvalorização que acometem tal faixa etária10,3.

GERONTOLOGIA – Análise Biopsicossocial do Processo de Envelhecimento

Atualmente, o processo de envelhecimento vem sendo estudado mais a fundo pelos cursos de graduação em gerontologia, ofertados na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e na Universidade de São Paulo (USP). É importante destacar que o profissional gerontólogo se difere do geriatra, o qual tem como objetivo o tratamento e a prevenção de doenças do público idoso. Já o gerontólogo, com sua formação generalista, busca garantir uma qualidade de vida digna para as pessoas idosas a partir da análise biopsicossocial do processo de envelhecimento8.

Desse modo, o gerontólogo estuda o conceito de envelhecimento bem-sucedido assim como o envelhecimento fragilizado. O envelhecimento bem-sucedido se refere à junção do estado físico com o mental com ambos em bom funcionamento. Assim, é visto que as alterações fisiológicas, bioquímicas e psicológicas sempre estiveram, e ainda continuarão, presentes no ciclo natural da vida, além das alterações cerebrais que acometem vários aspectos2. Levando em consideração que as alterações anatômicas e bioquímicas, quando em associação com carência de estimulação e limitada reserva cognitiva, colaboram na deterioração da memória e do processo cognitivo com o avançar da idade9. Desse modo, faz-se importante a estimulação cognitiva em idosos, com o intuito de manter suas funções em bom estado, além de gerar benefícios para sua saúde como um todo8,2. Essa é um dos exemplos de ações que o gerontólogo pode atuar na velhice saudável e fragilizada.

PÚBLICO IDOSO – O Grupo de Risco mais Suscetível a Pandemia da COVID-19

Destarte, ao analisarmos o atual cenário da pandemia da COVID-19, podemos refletir que devido à prevalência de doenças crônicas e de baixa imunidade, motivos pelos quais o público idoso é considerado um dos grupos de risco, torna-os suscetíveis às infecções como a COVID-19. Tal acontecimento leva a necessidade do isolamento social a fim de garantir a não proliferação do vírus em áreas onde esses idosos residem7. Visto isso, os estudantes do curso de graduação e pós-graduação em gerontologia e pós-graduação em enfermagem da UFSCar confeccionaram em conjunto dois E-Books com atividades cognitivas para o período de quarentena incluindo temas sobre o envelhecimento e a pandemia da COVID-19, com o objetivo de entreter os idosos neste período, proporcionar conhecimentos acerca da pandemia e do processo de envelhecimento e propiciar a estimulação cognitiva.

A seguir, encontram-se os dois links para download dos E-books, eles são gratuitos e qualquer pessoa pode ter acesso:

Livro 1 – “Covid -19 e os Idosos, atividades cognitivas para a quarentena” (https://www.gerontologia.ufscar.br/pt-br/media/arquivos/graduacao/covid-19-e-os-idosos_-atividades-cognitivas-para-a-quarentena-1.pdf)

Livro 2– “Temas sobre envelhecimento, atividades cognitivas para idosos”(https://www.gerontologia.ufscar.br/pt-br/media/arquivos/graduacao/temas-sobre-envelhecimento-atividades-cognitivas-para-idosos.pdf)

Texto escritor por: Vitória Oliveira Silva; Gabriela Oliveira Espósito e Professora Juliana Hotta Ansai

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. CARVALHO José Alberto Magno de, Garcia Ricardo Alexandrino. O envelhecimento da população brasileira: um enfoque demográfico. Cad. Saúde Pública [Internet]. 2003 June [Acesso em 29 de set 2020]; 19(3): 725-733. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0102311x2003000300005&script=sci_abstract&tlng=pt
  2. SCHNEIDER RH, Irigaray TQ. O envelhecimento na atualidade: aspectos cronológicos, biológicos, psicológicos e sociais. Estudos de Psicologia [periódicos na Internet]. 2009 [acesso em 29 de set 2020]; 25(4): 150-165. Disponível em:https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-166X2008000400013&script=sci_arttext
  3. FERREIRA VHS, Leão LRB, Faustino AM. Ageísmo, políticas públicas voltadas para população idosa e participação social. REAS [Internet]. 12 mar. 2020 [Acesso em 28 set 2020] ;(42): e2816. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/2816
  4. GOLDANI, Ana Maria. Desafios do “preconceito etário” no Brasil. Educ. Soc. [Internet]. 2010, vol.31, n.111 [Acesso em 28 de set 2020], pp.411-434. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010173302010000200007&lng=en&nrm=iso
  5. HERDY JS. Envelhecimento: Aposentadoria e Velhice – Fases Da Vida. GIGAPP-EWP [Internet]. 2 abr. 2020 [Acesso em 29 de set 2020];7(150-165):242-60. Disponível em: http://www.gigapp.org/ewp/index.php/GIGAPP-EWP/article/view/184
  6. Jusbrasil [homepage na internet]. CNJ Serviço: saiba quais são os direitos dos idosos. 2016 [acesso em 29 set 2020]. Disponível em:https://cnj.jusbrasil.com.br/noticias/346295703/cnj-servico-saiba-quais-sao-os-direitos-dos-idosos
  7. KALACHE Alexandre, Silva Alexandre da Giacomin Karla Cristina, Lima Kenio Costa de, Ramos Luiz Roberto, Louvison Marilia et al. Envelhecimento e desigualdades: políticas de proteção social aos idosos em função da Pandemia Covid-19 no Brasil. Rev. bras. geriatr. gerontol. [Internet]. 2020 [Acesso em 29 set 2020]; 23(6): e200122. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S180998232020000600101&script=sci_arttext&tlng=pt
  8. NERI, A. L. Palavras-chave em Gerontologia.4ª Ed, 2014; Campinas, SP: Editora Alínea.
  9. RIBEIRO Pricila Cristina Correa. A psicologia frente aos desafios do envelhecimento populacional. Gerais, Rev. Interinst. Psicol. [Internet]. 2015 Dez [Acesso em 28 de set 2020]; 8(spe): 269-283. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-82202015000200009
  10. DIAS Mariel Silva, Lima Ricardo Moreno. Estimulação cognitiva por meio de atividades físicas em idosas: examinando uma proposta de intervenção. Rev. bras. geriatr. gerontol. [Internet]. 2012 [Acesso em 29 set 2020]; 15(2): 325-334. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-98232012000200015&lng=en.
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