COVID19: 2020 término de um ano de luta, 2021 início de um ano de esperança.

O ano é 2020, o mês é o de março, e o dia é 11, momento em que é declarado oficialmente pela Organização Mundial de Saúde que o mundo está em pandemia. Em princípio uma declaração sem sentido para a maioria da população mundial.  O que isso de fato iria significar era algo imprevisível a partir daquele momento, pois de uma forma ou de outra, todas as vidas seriam afetadas, a partir daquela data, por conta do alto índice de contaminação, do que até então era novo e desconhecido enquanto propagação, contaminação e infecção,  pelo Sars-Cov-2 ou popularmente chamado de COVID-19.

Os dias seguintes foram marcados por ações globais em que as pessoas se viram obrigadas a manter o chamado isolamento e distanciamento social, e até situações extremas de lockdown (uma imposição do Estado que tem em seu significado o bloqueio total). A partir deste momento, as pessoas deveriam se isolar, ou seja, deveriam ficar em suas casas, sozinhas, ou acompanhadas entre os seus, e surge a pergunta que iria direcionar todo o ano de 2020 “por quanto tempo”? Esse tempo seria o determinante para avaliar sonhos e desejos, traçados muitas vezes em anos anteriores, ou mesmo nas tradições de promessas feitas nas festas da virada do ano, do tão chamado “ano novo”.

Ano que na maioria das vezes fazemos promessas, estimamos que algo de bom aconteça em nossas vidas, seja um emprego, o casamento, um carro, ou até mesmo a entrada em uma universidade, e porque não a finalização de uma graduação com a almejada festa de formatura ou quiçá a viagem para outro país, seja a trabalho, um simples passeio ou a idealizada lua de mel.

O que o ano de 2020 trouxe, nesta resposta de “por quanto tempo”, foi que o tempo não tinha o tempo necessário para lidar com o cenário que demonstrou no decorrer desse ano. As promessas de uma vacina, o alto índice de contaminação e óbitos, o desemprego, a incerteza do trabalho ou da vida social, começaram a minar as esperanças de “algo que seria breve o solucionável”.

Nesse ano de isolamento vivenciamos situações em que nosso estado emocional e psicológico foi colocado a prova quando tivemos que lidar com um inimigo invisível e tão assustador quanto a contaminação pela COVID-19. Ir à rua era sinônimo de perigo, um perigo oculto, que nos obrigava a uma série de cuidados de higiene pessoal ao retornarmos para casa, pois ao menor contato poderíamos desencadear um desconforto que a maioria desejava evitar “a contaminação ou transmissão do vírus para alguém do grupo de risco”, risco esse que poderia levar a um estado grave e até mesmo crítico de contaminação, e dependendo da gravidade da doença a eminência de um óbito.

O questionamento então era de como sobreviver mentalmente saudável, com os sonhos e desejos latentes para 2020, com o avanço descontrolado de um vírus, a perda de parentes ou amigos próximos, às ondas de novas contaminações em outros países, a dificuldade de regresso ao lar para os trabalhadores da saúde que estavam na linha de frente sem contaminar seus entes queridos, além de outros fatores que fizeram com o que no decorrer destes meses de isolamento social “minassem” os planos atuais e futuros.

Chegamos ao final desse ano com sentimento de perda do “ano que não foi”, como apagar o ano de 2020 frente a todas as dificuldades para alguns e adversidades para outros, em um momento em que se traz a esperança de uma possível vacina ainda para esse ano e aplicação em larga escala para 2021.

Como iremos apagar o estresse vivenciado para aqueles que não estavam na categoria de pessoas que se isolaram, que se viam como aquele soldado que vai para front na guerra, e torce para que nada lhe aconteça e volte são e salvo para sua casa. Como explicar para a criança, em fase de desenvolvimento infantil e alfabetização, que a escola agora é em casa, ou mesmo para os alunos de ensino fundamental e médio, que o ensino remoto é a alternativa para que não haja comprometimento no rendimento escolar. Sem contar aqueles que perderam seus entes queridos, sem ter tido a oportunidade “da última despedida”. Poucos são aqueles que não se viram afetados pela situação de isolamento social, estes não estão em situações privilegiadas, afinal “todos” fomos obrigados a conviver em confinamento.

O que o ano de 2020 trouxe foi o aprendizado de que o homem não tem controle sobre os eventos como se previa, mas sim o controle de como lidar com os eventos que se apresentam, e este é o “gancho” para lidar com os desafios que estão por vir em 2021. Qual será o aprendizado que esse ano passado de fato trouxe para que o próximo seja melhor? O que será esse melhor? O melhor para realizarmos os sonhos e desejos abafados e reprimidos em 2020, ou o melhor para se viver 2021?

Em uma pesquisa rápida, o maior desejo das pessoas está em torno de uma vacina que garanta uma imunização (mesmo que temporária), para o vírus. A súplica não está na vacina, mas na possibilidade que essa possa trazer novamente o sonho na realização de nossas aspirações feitas na virada de 2019 para 2020, que nos foram impedidas de se concretizar.

A “esperança” em 2021 está além da vacina e do que nos foi impedido de viver em 2020, está em colocar em prática com sabedoria o que vivenciamos de mais importante nesse confinamento, que é a possibilidade de sermos pessoas melhores, mais humanas e éticas, para que o valor da vida que esteve presente nesses meses de distanciamento social, não tenha sido em vão.

Que em 2021 possamos realmente acreditar que iremos superar mais esse desafio, e que iremos nos refazer com a possibilidade de sermos melhor a cada dia.

Fonte:

Luis Antonio da Silva. Psicólogo Clínico, Mestre em Administração, Comunicação e Educação. Professor Universitário para Cursos de Graduação e Pós-graduação. É Professor do CEFATEF para os cursos de Terapia Familiar Sistêmica, Terapia e Educação Sexual e Atuação no Campo Sociojurídico.