Ricardo Lima, psicólogo e orientador vocacional.

Às portas da faculdade, muitos jovens se deparam com uma questão inevitável: qual caminho devo seguir daqui em diante? Se a dúvida é legítima, decidir não é nada fácil. Envolve investimento de recursos preciosos como tempo, expectativas próprias, familiares e sociais, dinheiro, esforço físico e mental, entre outros. E não há garantias de sucesso. Nos últimos vinte anos venho trabalhando com jovens pré-vestibulandos e adultos insatisfeitos com suas carreiras. O jovem traz seus sonhos e muitos mitos sobre as profissões e as carreiras. Não raro buscam saber quais serão as áreas mais promissoras nos próximos anos, receitas prontas de como entrar nas melhores faculdades, fórmulas mágicas de como se alcançar o sucesso e a felicidade profissional ou mesmo o famoso teste vocacional de resultados instantâneos. Já o adulto chega para psicoterapia, eventualmente deprimido, relatando histórias profissionais insatisfatórias. Em ambas as situações, evidências clínicas recorrentes têm me apontado que eles precisam, de fato, conhecer seu perfil vocacional. O processo de autoconhecimento que se propõe é mais longo e complexo do que se imagina, mas, quando há disposição e boa vontade para esse aprendizado, os resultados têm se mostrado bastante positivos.

Estamos preparados para as escolhas?

Escolher é uma delícia. Quando nos deparamos com essa oportunidade, o ato de escolher nos possibilita dar sentido e forma às nossas vontades. Atualmente, a escolha vocacional nos apresenta muito mais alternativas e dinamismo quando comparada àquela de trinta ou quarenta anos. Neste período, a quantidade e a velocidade com que cursos, profissões e carreiras aparecem e desaparecem do mapa têm aumentado significativamente. À primeira vista, isto parece ser muito bom, pois enriquece, democratiza e diversifica as alternativas. Entretanto, torna o processo de escolha proporcionalmente mais difícil, exigindo uma gama maior de habilidades, consciência do mundo e de nós mesmos. Para esmiuçar didaticamente o processo de escolha, a fim de torná-lo mais proveitoso para a vida, costumo perfazê-lo utilizando três perspectivas. A primeira refere-se ao nível de consciência que temos sobre nossos desejos e necessidades. Isso mesmo. Mais do que informações sobre o mundo e as alternativas que ele lhe apresenta, você sabe o que de fato quer e necessita para a sua vida? Ou acha que sabe? Penso ser este o primeiro passo para uma escolha genuína, que só se viabiliza a partir do autoconhecimento. Tenho observado pessoas escolhendo muitas coisas importantes na vida, de cônjuges a profissões e carreiras, com precário nível de consciência de si mesmas. Seria isso, de fato, uma escolha? Não tenho a resposta para essa pergunta, mas acredito que, quando lançamos luz sobre o que nos constitui, somos capazes de escolher a alternativa que melhor nos representa. Com responsabilidade, identidade e uma boa dose de criatividade! A não ser que você tenha nascido e vivido numa cápsula com gravidade zero e hermeticamente isolada desta cultura ocidental-capitalista-consumista-latino-americana-domais-rápido-melhor-uptodate-plus-premium-etc – onde o bacana é ser mais rápido, estar em mais lugares no menor espaço de tempo, postar mais nas redes sociais e receber mais likes -, temos que considerar que nossa formatação básica não nos permite lidar muito bem com o fato de que para nos des-envolvermos é preciso deixar algo pelo caminho, seja ele material ou mesmo ideias, valores, relacionamentos, carreiras etc. Eis a segunda perspectiva pela qual proponho nos debruçarmos: toda escolha envolve ao menos uma renúncia. Quando não, várias! Ao escolhermos uma alternativa, seja para o que for, abrimos mão de outras tantas. Simples assim? Nem tanto. Nesse processo não abdicamos apenas das alternativas que racional e minuciosamente foram escolhidas como “não escolhidas”, mas com elas vão-se fragmentos de desejos, expectativas, necessidades, ou seja, partes de nós mesmos! Identifico que aqui reside uma das dificuldades mais cruciais para tomarmos decisões, porque renunciar deflagra em nós sentimentos como medo, confusão, sofrimento e impotência. Será que estamos preparados? A terceira via pela qual reflito sobre as escolhas e as tomadas de decisão traz à tona um elemento que gera aversão na maior parte das pessoas: o risco. De quê? De errar. Acredito que temos mais condições de realizar boas escolhas e decisões para a nossa vida quando sabemos lidar, em algum nível, com o arrependimento. O processo de escolha é um fenômeno íntimo e silencioso enquanto está protegido pelo processo de elaboração mental e emocional. Em algum momento torna-se decisão e precisa ser concretizado num ato, tornar-se público e notório. E se a escolha se mostrar equivocada ao longo do tempo? Você não pode se arrepender? Pegar um retorno ou atalho e voltar atrás? A boa notícia é que já estamos num tempo em que o “até que a morte nos separe” não vale mais para quase tudo na vida, até mesmo para as escolhas vocacionais. Fenômenos como a globalização e o avanço tecnológico trouxeram mais liberdade e melhores recursos para que possamos realizar escolhas com mais consciência, autonomia e liberdade. Mas, para isso é necessário encarar a si mesmo, as renúncias necessárias, eventuais arrependimentos e, se for o caso, o fato de ter que reavaliar o processo optativo e decisório.

O Teste Vocacional não existe.

Somos indivíduos, indivisíveis e idiossincráticos, com as mais diversas características dispostas, ora caoticamente, ora padronizadamente em combinações quase infinitas. Identificá-las, avaliá-las e interpretá-las com o objetivo de auxiliar pessoas na escolha vocacional é uma tarefa desafiadora. Requer, acima de tudo, dedicação, sensibilidade e conhecimento técnico do profissional orientador. O Teste Vocacional nada mais é do que um jargão popular, um termo vulgar associado a uma ideia de avaliação salvadora, responsável por indicar caminhos de sucesso e, claro, a culpada nos casos de fracasso. Confesso que “desconstruir” o Teste Vocacional impregnado na mente das pessoas que me procuram para uma Orientação Vocacional é, por vezes, mais trabalhoso do que todo o restante do processo. Inicialmente, busco ajudá-las a compreender que no Brasil não há um instrumento, máquina, aplicativo, software ou mecanismo único capaz de diagnosticar de forma precisa, fidedigna e válida algo tão profundo e complexo: o Perfil Vocacional. E que esse é apenas um elemento-base e imprescindível para um trabalho mais amplo, a Orientação Vocacional. Tentarei explicar brevemente. O perfil vocacional é um conjunto de características que nos compõem, as quais, didaticamente, separo aqui em três categorias: a personalidade, as habilidades e os interesses. Resumidamente, a personalidade é um universo de recursos, conscientes e inconscientes, que determina como sentimos, pensamos, reagimos a estímulos, lidamos (ou não) com as mudanças da vida, etc. Tomar conhecimento dessas características próprias nos ajuda a pensar contextos de trabalho com os quais podemos melhor nos identificar, aumentando assim as chances de adaptação e satisfação laborais. Mas, a importância do autoconhecimento, no que se refere à personalidade, vai além disso. Ignorá-la pode, em médio ou longo prazo, ser a base de uma depressão ocupacional. Dados clínicos indicam uma combinação perigosa e recorrente nestes casos: o exercício de um determinado cargo ou função, por anos ou décadas, incompatível com as características de personalidade (principalmente as não conhecidas) do indivíduo. Temos aqui uma das formas de insalubridade mais sutis e devastadoras, pois acomete profissionais acima de qualquer suspeita: inteligentes, dedicados, em bons cargos e bem-sucedidos. Possuímos habilidades e aptidões que, dependendo de como se combinam com as nossas características de personalidade, formam o que podemos chamar de talentos. Quase sempre somos conscientes de nossas habilidades formais, medidas pelo rendimento escolar ou avaliação de desempenho em algum cargo ou função. Infelizmente, nossa cultura educacional ainda propõe, em muitos casos, uma associação simplista entre inteligência e as notas que recebemos nas disciplinas escolares ou mesmo a nossa “treinabilidade” para cumprir um protocolo de rendimento chamado vestibular. Digo simplista, pois há um conjunto de capacidades que permanecem ocultas em nós e que, se nunca forem provocadas, provavelmente continuarão latentes e não serão reveladas. Conhecê-las pode ser muito útil para a escolha profissional e para a vida como um todo. No sentido inverso também vejo vantagens. Ao tomarmos conhecimento de nossas inabilidades, podemos nos preparar para enfrentá-las e buscar corrigi-las antes de sofrermos com fracassos previsíveis na vida acadêmica e profissional. Dessa forma, proponho a compreensão dos processos de aprendizagem como algo que não se resume apenas à memorização e evocação de conteúdos ou tarefas propostas por um currículo, mas também como sermos, nós mesmos, matéria a ser compreendida, interpretada e desenvolvida. De forma realmente inteligente, podemos colocar tudo isso para funcionar a nosso favor! Muitas vezes sem ter que começar do zero. Bem orientados em relação a nós mesmos e às possibilidades que o mundo nos apresenta, podemos desviar de turbulências e resolver situações de crise. Há sempre retornos ou atalhos que podem nos conduzir a um contexto profissional satisfatório. Mas, como se faz isso? O autoconhecimento é um processo que vai detectando falhas, padrões de ação inúteis e de autossabotagem, mas também tesouros ocultos em nós mesmos. E com eles surgem reflexões, alternativas e novos espaços para explorarmos. Dos componentes do perfil vocacional, os interesses pessoais também têm um peso muito grande no processo de escolha profissional. Nem poderia ser diferente. Não é raro conversar com jovens que, no alto dos seus dezesseis ou dezoito anos, assumem-se totalmente decididos por uma carreira específica. No entanto, também ouço universitários desmotivados e profissionais insatisfeitos relatando terem tido, por volta dessa faixa etária, as mesmas certezas. Algo comum em seus relatos é que a admiração e o interesse por determinada profissão não deixavam dúvidas de que, se seguissem por esse caminho, seriam felizes. Identifico-os como vítimas dos mitos sobre profissões e carreiras. Somos consumidores de mídia e as imagens sobre profissões e carreiras que recebemos por essa via são carregadas de uma boa dose de ficção. Ainda fico impressionado com a quantidade de pessoas insatisfeitas profissionalmente que escolheram Medicinas, Direitos ou Engenharias ficcionais, com base em modelos apresentados em novelas, filmes ou seriados enlatados, feitos para entreter, apaixonar e idealizar. Outros aspectos também podem interferir negativamente sobre os interesses no processo de escolha vocacional. São exemplos a desinformação, as percepções restritas, incompletas, ou mesmo, enviesadas transmitidas por um ou outro profissional de determinada área de formação e atuação. É fato que, sem refletir sobre esses fenômenos, podemos nos interessar por ideias falsas e não exatamente pelo que nos espera nas carreiras futuras, enveredando por caminhos sem os recursos necessários, ou mesmo abdicando de boas alternativas por ignorarmos nossos potenciais. Podemos, também, sofrer por anos a fio em contextos laborais que pouco ou nada têm a nos acrescentar e desenvolver como ser humano. É quando percebemos o preço cobrado por nosso despreparo no passado que temos uma segunda chance de nos reformarmos para o futuro.

Profissão e Carreira: novos tempos, novas possibilidades.

Desde cedo, a partir de experiências familiares, os conceitos de profissão e carreira sempre me chamaram atenção. Suspeitava que tinham significados distintos e, ao longo da minha formação profissional e alguns trabalhos na área da Psicologia, pude aprender um pouco mais sobre cada um deles. Em conversas sobre o assunto deparo-me com muita confusão, desconhecimento e equívocos. Alguns tratam ambos os termos como sinônimos, ou mesmo “nunca pararam para pensar nisso”. “Nisso”, no caso, refere-se ao trabalho que escolheram ter e no qual investem boa parte do seu tempo de vida, neurônios, energia, expectativas, etc. E o caracterizam pelo nome. Odontologia, Arquitetura, Economia, Gastronomia. Poucas décadas atrás, o caminho trilhado por alguém que se formava em um curso de graduação e exercia o correspondente trabalho durante a vida seguia, via de regra, uma linha reta, sem muitos desvios. Médicos operariam ou clinicariam, engenheiros construiriam, advogados representariam alguém ou seguiriam uma carreira pública, enfermeiros auxiliariam os médicos, professores viveriam em escolas, filósofos nas ágoras, jornalistas nas TVs, nas editoras ou nas rádios… E ponto. Até que a aposentadoria os matasse. Em virtude de diversos fenômenos históricos, profissão e carreira já podem (e devem) ser consideradas e caracterizadas pelas suas particularidades. Penso que a profissão é o que nos identifica como trabalhadores. São as nossas credenciais para o mundo de trabalho, matrizes construídas a partir de nossas formações específicas, técnicas, de graduação ou pós-graduação. Padeira, físico nuclear, D.J., diplomata, artesão, fisioterapeuta, atleta, tradutor, alfaiate, caminhoneira, artista circense, cirurgiã veterinária… Inclusive muitos profissionais possuem um registro que vale em todo o território nacional como documento de identidade (CRM, CRP, OAB…). Já a carreira costuma ser definida como uma linha temporal e descritiva, um histórico de trabalho de alguém, tal como encontrado num curriculum vitae. Mais do que isso, significa também o conjunto de características de um contexto laboral, por exemplo, funções, responsabilidades, habilidades intelectuais, físicas e emocionais necessárias para atingir objetivos, o ambiente físico e social, a rotina e organização do processo produtivo. Assim, se você é formado numa profissão, pode vir a trabalhar em diversas carreiras, pois essas se transformam ao longo do tempo e das pessoas que ali estão. Mesmo que você trabalhe sempre num mesmo negócio ou corporação. Essa relação, vista por outro ângulo, pode nos ajudar a compreender como numa mesma área da empresa podem se encontrar e trabalhar, por um mesmo objetivo, profissionais oriundos de diversas formações, idades e trajetórias vocacionais. Ilustrando, há algumas décadas a área de recursos humanos de organizações era composta quase que exclusivamente por profissionais de Administração de Empresas e Psicologia. Hoje, tal departamento em empresas de grande porte pode congregar também engenheiros, matemáticos, pedagogos, advogados, economistas e outros. Muitos desses trilharam um caminho da pós-formação em gestão de pessoas, ou cursos afins. Essa ressignificação das carreiras, sem dúvida, exige de nós flexibilidade, adaptabilidade e criatividade, inerentes às situações de mudança. Se soubermos lidar com esse dinamismo e riqueza de possibilidades, poderemos vislumbrar carreiras satisfatórias e possíveis em outros lugares além dos quais sempre nos imaginamos. Basta recalcular a rota, assumir as responsabilidades sobre novas escolhas e seguir noutra direção.

O fator Instituição.

Já que chegamos até aqui, me permito anunciar mais um dificultador da escolha vocacional. Sim, há outra escolha a se fazer. Sei que ninguém combinou isso com você, mas, preste atenção porque ela é muito importante. Imagine-se perguntando a si mesmo o seguinte: Qual instituição de ensino vou escolher para, juntos, formarmos uma boa parceria em busca de uma formação profissional de qualidade? Mais uma vez a contemporaneidade nos apresenta uma diversidade de alternativas. Provavelmente, o número de universidades no Brasil que oferecem o curso que você escolheu para se formar já ultrapassou os dois dígitos. Sem falar no crescente acesso à formação profissional no exterior. O cenário é tão diverso e democrático que pode cansar só de imaginar. Percebo os jovens de hoje recebendo todo tipo de informações, mas sem orientação a respeito do que fazer com elas. Assim, muitos sentem-se quase obrigados a comprar uma ideia clássica, cultivada pelas filosofias dos cursinhos pré-vestibulares: de que por existirem escolas e cursos avaliados como “de excelência” por alguns critérios técnicos, seriam infalíveis na promoção de satisfação acadêmica, vagas de emprego e sucesso profissional. Oras, com tanta pressão para decorar aquela fórmula de Física, ler as doze obras clássicas indicadas para as provas ou treinar os macetes de como dedicar exatos 2 minutos e 47 segundos para cada questão de múltipla escolha, como esperar que esses jovens reflitam sobre qual é a melhor universidade para cada um deles? Para suas necessidades, condições, facilidades e dificuldades, personalidade… opa! Já vimos isso antes. Sim. Ao conhecer o seu perfil vocacional, você pode se apropriar não somente da escolha e profissão e carreira como comentado anteriormente, mas também ter melhores condições para compreender se o ambiente no qual passará boa parte de seu tempo nos próximos anos é, de fato, o melhor lugar para você. Mas para isso é preciso ir um pouco mais adiante. Adentrar na própria universidade e conhecê-la funcionando como ela é. Buscas em sites, opiniões de quem já estudou naquela instituição ou mesmo visitas guiadas pelos colégios aos campus universitários ajudam, mas sempre apresentam vieses da realidade. Há alguns anos incluí no meu método de Orientação Vocacional um momento em que discuto e planejo com o orientando como visitar os cursos, assistir a algumas aulas, sentir a vibe do ambiente e avaliar alguns critérios que julgo serem importantes para uma boa escolha institucional. Tais critérios foram cuidadosamente elaborados ao longo de anos de trabalho e com base em relatos de pessoas que me contavam onde, como e por que se sentiam fracassadas na sua relação com a instituição, não raro aquela escola defendida por todos como a melhor para se estudar. Marcou-me profundamente uma experiência clínica com um rapaz que, após seis anos de cursinho, finalmente foi aprovado num famoso e bem avaliado curso público de Engenharia. Oito meses depois estava em meu consultório para psicoterapia. Com sintomas de ansiedade e depressão, relatou-me que se esforçou muito para estar naquela faculdade, mas não se adaptou aos grupos de pessoas que ali estudavam, às rotinas das aulas, surpreendeu-se com a falta de infraestrutura básica em alguns laboratórios (o que frequentemente ocasionava a suspensão das aulas e a não reposição do conteúdo na sequência do curso). Indaguei se já havia visitado aquele local antes de ser aprovado no vestibular e, com expressão de surpresa nos olhos, ele me respondeu com as perguntas: era possível? Como? Infelizmente, esse jovem não é o único a acreditar que a universidade é como um templo sagrado de acesso restrito somente após a efetivação da matrícula. Mitos como esses são criados e alimentados em nossa cultura, por diversos motivos e interesses, mas o que nos importa aqui é saber que temos, sim, alternativas aos caminhos que nos impõem como únicos e corretos. Afinal, se antes de escolher coisas simples da vida (como um par de sapatos, o sabor do sorvete ou a academia de ginástica) você as experimenta, por que você não faria isso com algo tão importante quanto a sua parceira de formação profissional?

Considerações Finais

Este texto é a concretização de um desejo antigo que surge, entre outros fatores, por eu não ter tido a oportunidade de saber dessas coisas, enquanto cursava o ensino médio. Tal desejo me conduz a dividir algumas ideias reais e atuais, através de fatos e provocações que julgo serem úteis aos leitores, sobre como interpretar a sua situação pré-vestibular ou mesmo a sua realidade profissional. Não há mágica. Há técnicas válidas e específicas que auxiliam o diagnóstico do perfil vocacional, alicerce de uma boa orientação. Há também muitos profissionais competentes e responsáveis por acolher o orientando e trabalhar junto a ele, interpretando suas produções e incentivando-o a criar seus próprios caminhos. Mais do que uma simples testagem, a orientação vocacional visa realizar uma reflexão por outra perspectiva que não seja a do senso comum, mas sim a do indivíduo. Quando somos mais conscientes dos labirintos pelos quais circulam os impulsos e as razões de nossas escolhas, podemos nos autorizar a correr os riscos necessários, de forma menos oprimida e, portanto, mais segura, responsável e autêntica.